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CPAMais_Que_Um_Amigoby_digital

By Jill Rivera,2014-09-14 05:02
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CPAMais_Que_Um_Amigoby_digital

Tradução de João Alcino Andrade Martins

    Editora Ática

“Nunca tive um namorado.

    Mas isso vai mudar...e rápido.

    Só preciso encontrar o meu verdadeiro amor antes de Steve achara garota dos seus sonhos.

    É a NOSSA APOSTA, e não posso deixá-lo vencer.

    Mas por que ao pensar no amor pressinto que está escondido bem debaixo do meu nariz?” pensa Kelly.

RESUMO

UM PERIGOSO JOGO DE AMOR

    Para Steve, sua melhor amiga Kelly, tem medo de se aproximar dos garotos. Ela acha que será rejeitada, sem perceber como é bonita, inteligente e charmosa.

    Então ele resolve lançar-lhe um desafio. Até o Baile de Verão, no final do ano, deve arranjar um namorado. Para sua surpresa, Kelly não só aceita, como o desafia também. Os DOIS devem encontrar uma nova paixão.

    É só quando ela começa a sair com Derrick que Steve percebe como foi tolo. De que lhe adianta ter conquistado a insinuante Claudia, se seus pensamentos jamais se afastam de Kelly?

    Por causa de uma aposta inconseqüente, corre o risco de perder seu verdadeiro amor...

1 KELLY

    Naquele dia alguma coisa mudou em mim de verdade, e nunca vou saber ao certo por que isso aconteceu. Pode ter sido o céu muito azul ou o cheiro forte e gostoso das rosas no ar. Ou porque passei os anos todos do colégio só assistindo de longe aos namorados, enquanto minhas colegas entravam nessa o tempo todo. Talvez porque já fazia quase dois meses que não via Chris e por isso me sentisse um pouco perturbada. Ou, quem sabe mesmo, pode ter sido apenas porque eu estava a fim de me apaixonar.

    - Você sabe qual é o seu problema, Kelly Byrne?

    - Sim, eu sei. Meu problema é você me perguntar a toda hora se eu sei qual é o meu problema - respondi a Steve Parson ele, meu melhor amigo e, infelizmente, meu crítico mais severo.

    - Errou de novo. - ele fez que não com a cabeça e deitou-se na grama. Nós estávamos em um piquenique no Lago Gambler, numa conversa meio sem graça sobre como tínhamos passado às férias de inverno. Isso provavelmente estava aborrecendo Steve.

    Passar o feriado do Dia do Trabalho no lago era desde muito tempo uma espécie de tradição entre nós. Quando uma pessoa é nossa melhor amiga e vice-versa, certos rituais se tornam tão importantes que passar por cima deles faz com que ambos se sintam como se algo muito grave estivesse acontecendo. Foi por essa razão que não aproveitei a oportunidade de ficar á toa, curtindo com minhas colegas do Acampamento de Verão, e

    acabei vindo de avião do Minessota dois dias antes do fim do período de férias. Não estou querendo me fazer de vítima, porque sei que Steve também deixou de ir a um passeio de barco com seu amigo Andrew Rice, para passar aquele dia comigo. Por outro lado, isso não significava que eu estivesse louca para uma sessão "vamos analisar Kelly". Para deixar bem claro meu tédio, suspirei da maneira mais dramática que pude. - Certo, doutor Parson. Por favor, então me esclareça.

    Steve sentou-se e tirou da boca o talinho de grama que estava mordendo. -Steve: Falando diretamente, você é tipo de garota que segue ao pé da letra a dieta do chá gelado. E, o pior: é sempre sabor de limão, nunca pêssego ou morango. Steve sorriu (meio irônico para o meu gosto) e tornou a deitar-se. Ele se comportava como se tivesse acabado de resolver o problema da fome no mundo, mas para mim tudo não passava de um papo-furado confuso sobre chá gelado.

    Se eu tivesse um pingo de cérebro, trataria de colocar o fone de ouvido de meu walkman e ignorar aquele comentário. Mas Steve tem essa mania irritante de me encaixar na marra dentro de suas teorias.

    - Mais alguma coisa perguntei - Ou você acha que só preciso parar de tomar chá gelado e, assim, meu último ano no colégio vai me trazer fama, fortuna, beleza e um grande e verdadeiro amor?

    - AHHHHH!!!!! A senhorita ficou curiosa! - ele dramatizou enquanto falava, olhando pra frente, como se essa conversa estivesse sendo testemunhada por milhares de pessoas muito interessadas.

    - Na verdade tem mais. Veja, Kelly. Quando vamos ao mercado, temos muitos tipos de bebidas para escolher. Mesmo para quem procura um simples chá, é possível escolher entre dúzias de sabores diferentes.

    - Sim, e daí?

    Se eu não apressar Steve enquanto ele fala, poderemos ficar sentados por horas, eu ouvindo e ele dando milhões de voltas em torno de um assunto.

    - Então porque você nunca escolhe maça, por exemplo? Ou até mesmo manga? - Nunca ouvi falar que manga fosse um sabor de chá.

    - Está certo, mas a questão não é essa. O fato é que você nunca varia. Não diz: "Ei, manga pode ser interessante. Acho que vou experimentar". Em vez disso, segue sempre a mesma dieta de chá gelado e faz dele a sua única companhia.

    - Chá gelado não é a minha única companhia. Você é que é.

    Steve pegou a garrafa de chá gelado de minhas mãos, já meio vazia, e tomou um grande gole.

    - Kelly, eu estou falando por metáforas, vê se me acompanha no raciocínio. - Sim, estou acompanhando. Estou acompanhando...

    - Em qualquer situação, você escolhe sempre o caminho mais seguro. Tem medo de tentar coisas novas. Tem vivido a sua vida toda como uma freira que prometeu seguir apenas um caminho, e só aquele caminho. Encare a verdade, você precisa variar. - Por quê?

    - Por quê?, POR QUÊ? Porque se fizer isso, coisas incríveis podem acontecer. - Por exemplo? - como comentei antes, Steve tem a mania de me meter na marra dentro de suas teorias.

    - Você poderia ser uma inventora, como o cara que inventou o telefone. Poderia ser uma cantora de sucesso. E, o que é mais excitante, poderia se apaixonar. Ou arranjar um

namorado, ou pelo menos ter um encontro.

    Suspirei profundamente. Minha vida amorosa, ou melhor, minha falta de uma, era um dos assuntos favoritos dele. Nos momentos mais inesperados - por exemplo, quando estávamos estudando matemática, eu podia contar com ele para me lembrar de minha existência sem namorados. "Esta equação é igual a sua vida amorosa, um monte de fatores desinteressantes que são iguais a zero."

    Sei que estou passando a impressão de que Steve é uma pessoa insensível e só fala sobre coisas sem graça, mas não é nada disso. Acontece que ele não entende como nós, as pessoas normais, levamos a vida. Por normal eu quero dizer aqueles que não tem quase um metro e oitenta, cabelos sedosos e lindos, olhos verdes e um corpo absolutamente incrível. Para quem ainda não adivinhou essa é a descrição de Steve, como meu amigo também é chamado, se não citei essa observação antes. Ele também é muito charmoso e tem um jeito irritante de fazer todo mundo gostar dele logo de cara.

    Mas aquilo que ele estava dizendo sobre o medo, na verdade, tinha sentido. Eu sinto medo, em relação a um monte de outras coisas. E, principalmente, convivo com o terror da rejeição. Quero dizer, tenho visto tantas garotas chorando no banheiro, com o coração partido por causa de algum cara que decidiu lhes dar um fora bem no meio do pátio da escola! Daí, quando olho para essas garotas, sempre retocando o batom e saindo para o pátio para se mostrarem de novo disponíveis para a tortura, experimento a maior simpatia por elas. De Verdade. Mas me pergunto também porque é que elas se colocam nessa situação. Ter um namorado é mesmo tão bom assim? Vale a pena sentir-se tão mal toda vez que se vê o garoto de quem se gosta colocar o bração em volta de outra garota? Eu acho que não, de jeito nenhum!

    Sou o que minha mãe costuma chamar de Dona Arrepiandinha. Ela quer dizer com isso que não deixo ninguém chegar muito perto, papo de psicologia popular. Mas sempre digo a minha mãe que odeio psicologia popular. Ter todo mundo rotulado bonitinho, como se fosse apenas uma caixa de absorventes ou de lâminas usadas descartáveis, me parece uma coisa desumanizadora. Nós somos todos indivíduos diferentes, e até mesmo excêntricos. Por que reduzir nossa vida a uma definição que se pode ser encontrada num dicionário ou numa enciclopédia.

    Como Steve estava dizendo, sou muito travada pelo medo. Mas, pergunto de novo, quem não é?

    - Medo, é? - Apertei os olhos e encarei Steve.

    Ele tinha voltado de um período na fazenda de seu avô. Eu não pude deixar de notar que o trabalho na fazenda tinha feito maravilha por seus músculos do braço e do peito. Se, ao menos, ensinar jazz a um bando de meninas de dez anos pudesse fazer o mesmo por meu corpo!

    Steve concordou muito sério.

    - Olhe para si mesma. Você tem dezessete anos e nunca namorou. Tem certeza de que quer passar seu último ano de colégio sozinha?

    Assim já era demais! Agora era a hora de virar o jogo.

    - E você, Steve? Está certo que você tem uma coleção de namoradas, dessas que vai pegando por aí afora, de qualquer jeito. Vai me dizer, que quando está no seu carro, com uma dessas garotas, você não se sente sozinho, solitário?

    - Pelo menos estou tentando arranjar companhia.

    - EU TAMBÉM tento...apenas não tenho o mesmo sucesso.

Steve deu um risada.

    - Você colocou isso na sua cabeça e não muda. O seu príncipe encantado poderia vir, com seu cavalo branco e tudo o mais,que você o deixaria passar.

    - Não é bem assim não.

    Infelizmente, quanto mais essa conversa se prolongava, mais eu sentia que Steve estava levantando uma questão importante. Como desejava que ele fosse direto a questão e depois me deixasse comer meu sanduíche em paz!

    - Prove então.

    - Provar o quê?

    Perguntei desviando o olhar para o chão, já arrependida por ter prolongado aquela conversa. Até comecei a pensar em algumas piadas sobre garotas de dez anos a quem ensinaria jazz. Faria qualquer coisa para que Steve deixasse de lado os assuntos pessoas. - Mostre-me que você quer mesmo se apaixonar.

    - Como?

    - Ora como? Se apaixonando, é claro.

    - Steve, isso não é como tirar um dez em história. A gente não sai simplesmente por aí e se apaixona porque quer.

    - Como você sabe, se nunca tentou?

    O papo já estava ficando ridículo. Steve não iria desistir, e eu já estava me sentindo envergonhada. Ele adorava me ver em situação embaraçosa. Por algum motivo achava isso uma demonstração de afeto. Eu achava humilhante.

    - Esqueça.

    Disse com firmeza e mordi meu sanduíche e liguei meu i-pod. Se não prestasse atenção nele, talvez Steve acabasse desistindo.

    Steve se aproximou e tirou meus fones de ouvido. Ainda pude ouvir a voz de Aretha Franklin abafada e meio estridente saindo dos fones.

    - Preste atenção no que eu vou falar Kelly. Eu DESAFIO você a se apaixonar. Já tinha percebido antes que virar o jogo contra ele acabava dando errado. Mas que chance eu tinha? Fiz uma tentativa desesperada.

    - Está certo! Pois eu desafio VOCÊ a se apaixonar. E não estou me referindo a um namorico de duas semanas com a garota que trabalha no Pizzas Hut, não tá? De repente fiquei animada, pensando em todas as condições que poderia impor sobre o romance de Steve.

    - Nem estou falando de alguns encontros com a Sarah Fain, aquela peituda nanica. Estou falando de COMPROMISSO. Um encontro de personalidades.

    Ele deu de ombros.

    - Está certo. Você conseguiu.

    - O quê?

    Eu não esperava que ele realmente aceitasse isso tudo. Contava apenas obter um recuo de Steve e uma chance de esquecermos toda aquela conversa.

    - Eu desafiei você. Você me desafiou. Aquele que conseguir vence.

    Sua expressão era muito séria, mas eu ainda tinha esperança de que a idéia toda fosse uma brincadeira.

    - Você quer mesmo que nos desafiemos mutuamente a nos apaixonar?

    - Por que não?

    Perguntou ele, cruzando os braços e ainda sério.

    Confesso que, para minha surpresa, eu estava começando a me interessar pelo assunto. Quem sabe Steve não tinha razão? Talvez já fosse tempo de Kelly Byrne mostrar aos garotos, ou ao menos a um dos garotos do colégio Jefferson, do que ela era capaz. Além disso era nosso último ano do segundo grau. Se desse uma mancada, o pior que poderia acontecer seria ter de sofrer pelo resto do ano, e depois o jeito seria nunca mais mostrar minha cara nas reuniões. De qualquer modo, eu provavelmente não iria mesmo as reuniões de turma do colégio. Mas se quisesse continuar com a idéia maluca de Steve teria de fazer direito.

    Eu não estava disposta a correr o risco de ter meu coração magoado só para encarar um desafio do meu amigo.

    Então concordei, balançando a cabeça lentamente.

    - Você está certo.

    - Estou?

    Pela primeira vez ele me pareceu um tanto inseguro.

    - Claro que está. Mas vamos fazer disso uma aposta.

    Os olhos de Steve se iluminaram. Ele adora apostar.

    - Agora você sacou o lance, Kelly. Vamos fazer uma aposta das grandes. Eu estava deitada, apoiada nos cotovelos e então me sentei.

    - Alguma idéia?

    - O perdedor tem de preparar o almoço do vencedor por um mês?

    Balancei a cabeça negativamente. Se a gente ia entrar nessa de desafio, então precisávamos fazer da forma correta. Se ganhar não tivesse muita importância, provavelmente nós dois deixaríamos a aposta de lado e logo voltaríamos a nosso antigo comportamento.

    Ele tentou de novo....

    - Que tal o perdedor ter de limpar o quarto do vencedor uma vez por semana, durante um ano?

    - Isso não seria muito justo. Eu sou uma verdadeira maníaca por arrumação, e você, um bagunceiro.

    - O perdedor deverá usar uma placa com as palavras "chute-me" por uma semana. - Não. Isso não seria muito original.

    - Cinqüenta pratas?

    - AH, qual é Parson? Você pode fazer melhor que isso!

    Steve deitou-se na grama de novo, espreguiçou-se e fechou os olhos por causa do sol. - Me deixe pensar um minuto. Vou fazer uma proposta que vai deixar o cabelinho da sua nuca arrepiado.

    Eu me deitei de bruços, apoiando a cabeça nos braços. Estava a fim de descansar meus olhos e pretendia pensar em uma aposta legal, mas tinha problemas para me concentrar. Então, enquanto Steve pensava, deixei a imaginação correndo solta.

    Eu me vi, no primeiro grande jogo de futebol do ano, segurando uma bandeira do Jefferson. Assistia a tudo, enquanto meu anônimo verdadeiro amor caminhava pelo campo. Ele se virava olhando a platéia, até que seu olhar encontrasse o meu. Então faria o sinal de positivo para mim, antes de chamar seu time para o começo do jogo. Ri da idéia. Jogadores de futebol não fazem o meu tipo.

    Então eu me vi no palco, dançando o lago do cisne. Ao final da apresentação, três dúzias de rosas vermelhas eram lançadas aos meus pés. Em meus sonhos, eu sorria ternamente e

    lançava um beijo a meu maravilhoso namorado. Esta seria uma cena muito linda, com um detalhe: o Lago do Cisne está totalmente superado.

    Steve sentou-se de repente e bateu palmas.

    - Já sei! Se você está querendo mesmo um desafio, acaba de conseguir um. Eu me ergui, apoiando-me nos cotovelos.

    - Então me diga.

    - Está certo. Se perder, você terá de cortar o cabelo bem curto e tingir de loiro oxigenado - Propôs, me olhando e mexendo as sobrancelhas.

    - O QUÊ????? gritei.

    Steve devia estar maluco. Ele sabia muito bem que o cabelo era meu único ponto forte, cheio, escuro e comprido. Quase sempre quando estava no banheiro do Jefferson e alguma garota de cabelos ralos entrava, ela suspirava de inveja quando olhava para meus cabelos. Essa era minha única vaidade, e Steve queria tirá-la de mim? Acho que ele percebeu minha indignação.

    - O que foi Kelly? Você tem tanta certeza assim de que vai pedir?

    Como odeio o orgulho! O orgulho obriga a gente a fazer cada bobagem! Naquele caso foi o orgulho que me fez concordar com os termos de Steve.

    - Tudo bem, senhor Invencível. E o que acontece se eu ganhar?

    - Simples, eu terei de furar minha orelha.

    - AHHH, não!!! De jeito nenhum! Você está falando toda hora sobre furar a orelha. Isso não conta.

    - Está bem. Então pense em alguma coisa.

    Não costumo ter momentos de brilhantismo, mas quando acontecem são muito inspirados mesmo. Aquele foi um de meus ápices de inspiração.

    - Se eu ganhar a aposta, então, VOCÊ, Steve Parson, terá de cortar o cabelo com a inscrição da palavra "perdedor". Para facilitar o acordo eu mesma farei o corte. disse,

    lançando minha proposta.

    Ele não pareceu muito contente com a idéia de ter o cabelo cortado de forma a proclamar ao mundo em alto e bom som que era um perdedor. Mas Steve não recuaria agora. Não é de seu estilo.

    - Vamos selar o acordo.

    Então apertamos as mãos solenemente, e foi quando me lembrei de que nosso acordo não dizia nada sobre o prazo.

    Imaginei que precisássemos de tempo suficiente para nos apaixonar, mas não tanto tempo até estarmos como dois velhinhos gagás, quando fôssemos comparar as respectivas anotações.

    Parece até que Steve leu meus pensamentos.

    - Nosso acordo vai até o Baile de Verão. Aquele que aparecer primeiro com seu verdadeiro amor vence a parada.

    Um novo pensamento me ocorreu.

    - Ei, e o que acontece se nós dois nos apaixonarmos?

    Ele se ergueu e me deu um tapinha na testa.

    - Então nós dois vencemos. Dá empate.

    Enquanto Steve e eu guardávamos a comida, a manta e nosso material de leitura, comecei a experimentar uma estranha sensação de frio no estômago. Nos próximos meses iria precisar mais do que trabalho duro e uma boa dose de sorte. Eu precisaria de um milagre...

2 STEVE

Na terça-feira de manhã eu me levantei com um pensamento na mente: "Mas que aposta

    estúpida eu fiz com a Kelly" . Nunca teria proposto a coisa toda se imaginasse que ela iria até o fim. Mas toda vez que penso que posso prever cada movimento de Kelly ela decide fazer algo inesperado. Daí agora eu tinha de me apaixonar.

    Analisando assim superficialmente, pode-se pensar que a tarefa seria mais fácil para mim do que para Kelly. Afinal de contas, nunca tive problemas para arranjar encontros, sou confiante e nem um pouco tímido. Kelly, ao contrário, é muito fechada. Ela é uma das garotas mais bonitas da escola, senão a mais. Só que, quando alguém lhe diz isso, sua resposta é um "obrigada" e ela sai pensando que o cara está louco. Ela escapa pela

    tangente e fala sobre favorecimento, condescendência masculina e homens que pensam que podem fazer uma mulher se sentir bem dizendo a ela alguma coisa que é obviamente mentira. O que posso dizer? Minha melhor amiga tem um complexo.

    Mas agora que ela estava decidida a se apaixonar, eu tinha certeza de que cumpriria o trato. Kelly sempre batalha para conseguir seu objetivo. Eu havia lançado um desafio, e ela ficaria pensando sobre o caso até ter um plano. Diferente de mim, que não tenho nem idéia de como elaborar um.

    Kelly provavelmente procuraria em sua sala de aula e, batendo os olhos em algum panaca, se apaixonaria por ele. Enquanto isso, eu estaria empacado no banco traseiro do meu carro, lugar predileto para Kelly me imaginar com as garotas, com alguém muito legal, mas que na verdade não se importaria se eu estivesse vivo ou morto. E, para coroar isso tudo, a palavra "perdedor" estaria gravada em meu corte de cabelo esquisito.

    Enquanto andava na escola, naquela manhã ensolarada de terça-feira, eu procurava Kelly no pátio. Quem poderia saber? Talvez ela tivesse acordado recusando a coisa toda também. Se fosse assim, eu concordaria de imediato, e ela nunca precisaria ficar sabendo que minha confiança tinha sido abalada. Mas, por azar, ela não estava lá... Ela provavelmente estaria fazendo um cronograma para o seu primeiro encontro, o seu primeiro beijo e o primeiro "Eu te amo" .

    E, conhecendo Kelly, sabia que ela ia adiar o "Eu te amo" até momentos antes de entrar

    no salão do Baile de Verão com seu amado. Ela tem uma queda por cenas dramáticas. Eu tinha começado a subir o quarto andar, contando os degraus dos lances de escada, a caminho de minha nova sala, quando Andrew Rice, meu melhor amigo depois de Kelly, se aproximou. Eu não o via fazia bastante tempo, já que faltei a nosso passeio de barco. - Oi Parson. Achou algum anjo na fazenda?

    - Não, mas encontrei um pão-duro, que é o meu avô. Ele me pagou cem pratas. Depois de eu ter dado um duro danado o mês inteiro.

    - Bem vindo ao mundo real. Por isso é que trabalho para o meu pai.

    O Senhor Rice é advogado, e todas as férias Andrew trabalha no escritório dele. Passa a maior parte do tempo tirando cópias e enviando mensagens por fax. Se estivesse no lugar dele, eu ficaria doido.

    Chegamos ao último andar. Com uma certa satisfação, percebi que Andrew estava bufando e sem muito fôlego. meses dentro de um escritório debaixo de luz fluorescente e ar condicionado não deixam ninguém com muito pique.

- Não olhe agora. Debbie Jackson a sua direita.

    Disse Andrew me cutucando.

    Suspirei. Debbie tinha sido minha namorada por um mês durante o outono passado. Gostei bastante dela no começo,mas depois de certo tempo ela estava me deixando doente. O jeito dela de falar...parecia que estava sempre perguntando alguma coisa. Mas quando fazia uma pergunta o tom de voz soava como uma afirmação. eu me sentia num daqueles jogos de programa de televisão com perguntas e respostas.

    Ainda pensei em me agachar atrás de um armário, mas já tinha sido visto. - Oi, Steve? - Ela falou, me beijando no rosto. Percebi que estava mais bonita do que no ano passado. Tinha cortado curto o cabelo loiro, e sua franja caía sobre os olhos de um jeito bel legal.

    - Oi, Debbie.Como passou as férias?

    Pensei que poderia estar errado sobre Debbie. Talvez ela fosse meu verdadeiro amor, e eu tivesse me enganado por sua forma de falar. Talvez não tivesse percebido isso antes. - Foi muito bom. Eu trabalhei em uma butique. E você?

    Naquele momento soube que não havia futuro para mim e Debbie. Podem me chamar de maluco, mas gosto de uma conversa que não seja inteiramente irritante para mim. Pude sentir Andrew a meu lado se segurando para não dar risada. Considerando a maturidade, ele está no mesmo nível de Barney, o vizinho de Fred Flinstone nos desenhos da TV. - Foi bom. Bom. - Respondi olhando para o relógio. - Caramba! O primeiro sinal já vai bater, e o senhor Maughn é o nosso orientador.

    - Eu entendo. Ele foi meu orientador no segundo ano. - ela então falou virando-se para ir embora - Você gostaria de sair um dia desses?

    - Andrew: Sim pode ser - Adiantou-se Andrew respodendo por mim. Não foi legal, mas não consegui segurar um início de risada. Minha própria maturidade parece que me faltou àquela hora.

    Debbie deu uma olhada meio estranha para nós e foi embora para o pátio. Sentei-me em uma carteira no fundo da sala do Sr. Maughn e fiquei pensando. Eu tivera encontros com algumas garotas muito legais mas também saíra com outras que ainda nem deveriam andar sozinhas pela rua, quanto mais ser minhas namoradas.

    - Cara, não tem nenhuma garota que valha a pena nessa escola. - Reclamei com Andrew. Andrew fez que não ligava encolhendo os ombros.

    - Você lembra de quando estávamos no primeiro grau. Parecia que todo o segundo grau estava cheio de garotas bonitas e excitantes. Pelo jeito elas todas devem ter se formado há muito tempo.

    - Steve, eu acabei de fazer uma lista de vinte tremendas gatas, com as quais eu gostaria de sair e ter um encontro esse ano. Como é que você vem me dizer que aqui não tem garota bonita?

    Eu balancei a cabeça negativamente.

    - Estou falando de alguém especial. Alguma garota por quem eu pudesse me apaixonar. - Apaixonar? AHHHH, dá um tempo cara... - Andrew me disse isso, e voltou para a sua lista de nomes.

    Dei uma olhada no caderno para ver a lista. À medida que ia lendo os nomes, ia fazendo mentalmente o cruzamento com a minha relação de garotas com quem já tivera um encontro. Quando cheguei ao número onze, meus olhos se arregalaram.

    - Kelly?

Pronunciei quase me engasgando.

    - Claro. Andrew confirmou - Ela preenche todos os meus requisitos. - E desenhou um asterisco ao lado do nome de Kelly.

    Fiquei contemplando a lista fixamente. Ele tinha colocado o nome de Kelly entre os de Amanda Wright e Carrie Starks. Inacreditável! Não que eu não ache Kelly atraente, inteligente e outras coisas mais. Só que o fato de ver o nome dela incluído em uma lista com outras intenções me incomodou. Era com se Andrew não entendesse que Kelly era um caso especial. Ela não é do tipo que se coloca em uma lista feita só pelo tesão de sair com uma garota gostosa. Ela é uma pessoa.

    - Você é um babaca. desabafei - Faz idéia de como ela ficaria furiosa se soubesse disso? - Perguntei, pegando a folha de papel e sacudindo na frente de seu rosto. Ele deu de ombros.

    - Eu pessoalmente duvido que Kelly esteja preocupada em como eu gasto meu tempo durante as palestras de orientação, antes do início das aulas. ele disse, olhando para

    mim e levantando as sobrancelhas. - VOCÊ é o único que parece se importar com isso, Parson.

    - O que você quer dizer?

    - Que você está com ciúmes. - Respondeu ele estalando so dedos.

    - Você pirou. respondi.

    Há anos que eu tenho esse problema de as pessoas me provocarem sobre eu curtir uma paixão secreta pela Kelly. Mas nunca nenhuma dessas idiotices me perturbou. Naquele instante tocou o segundo sinal. pulei para o meu lugar vendo o sr.Maughn tirar um maço de documentos de dentro da pasta. Ele pigarreou e começou seu discurso sobre os males de chegar atrasado e perambular pelos corredores. Depois de três anos de colégio esse era o tipo de conversa a que não era preciso prestar muita atenção.Se alguém já ouviu um desses discursos sobre o primeiro dia de aula, conhece todos. Eu podia sentir meu rosto ficando vermelho enquanto pensava no que Andrew tinha dito. Está certo que sempre fui bastante paternalista quando o assunto era Kelly. Mas isso porque eu sei como são os caras. E não quero que ninguém fique falando dela do mesmo jeito sacana e grosseiro como falam sobre as outras garotas.

    Depois de alguns minutos, Maughn terminou seu discurso de boas-vindas ao colégio Jefferson. Então deu início a chamada dos alunos pela lista, outra coisa muito chata do início das aulas. Lá pelo meio da letra D a porta abriu com um estrondo. Pude perceber pelo rosto de Maughn que ele não gostou. Os professores sempre acreditam que, se conseguirem controlar os alunos no primeiro dia de aula, então poderão passar o resto do anos sem enfrentar maiores problemas. Claro que Maughn detestou ver seu "plano A" em relação a disciplina ir por água abaixo.

    Virei a cabeça para olhar quem estava entrando. Ela deu alguns passos para dentro da sala e parou como se não estivesse certa de poder entrar. carregava um monte de cadernos que pareciam prestes a cair a qualquer momento.

    Seu cabelo loiro e comprido estava preso por um rabo de cavalo meio frouxo, mostrando o queixo muito bonito e os olhos arredondados. Vestia mini-saia e uma camiseta listrada de alças. Suspeitei profundamente, absorvendo os efeitos de olhar para aquela pernas bronzeadas. De repente a lista de Andrew era a última de minhas preocupações. -Nome?- Rosnou o Maughn.

    A garota deu uma olhada pela classe como se estivesse procurando por amigos.

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