DOC

UMA BUSCA DESESPERADA

By Audrey Weaver,2014-08-15 23:54
8 views 0
UMA BUSCA DESESPERADA

UMA BUSCA DESESPERADA

    Título original: Married to a mistress

    Lynne Graham

    Série: Afilhadas

    1998

    “Este Livro faz parte de um Projeto individual, sem fins lucrativos e de fã para

    fãs de romances. A comercialização deste produto é estritamente proibida.”

    Traduzido e revisado por : ILNETE

    Resumo

    Maxie, Darcy e Polly tinham que encontrar um marido.

    A falecida Nancy Leeward tinha legado a cada uma de suas três afilhadas uma parte de

    sua fortuna, com a condição de que se casassem em um ano e permanecessem casadas pelo

    menos seis meses.

    Maxie, por culpa do vício de jogo de seu pai, tinha que defrontar a uma dívida que não

    podia assumir, assim a herança de Nancy poderia ser a solução a suas preces... O milionário grego Angelos Petronides estava desejando dormir com ela a quase três anos,

    portanto poderiam chegar a um acordo... Ainda que ele cedo descobrisse que teria que lhe

    oferecer algo mais do que dinheiro para consegui-la...

    Capitulo 1

    - E como Leland me deu carta branca para levar todos seus assuntos, penso arrastar a essa

    pequena rameira ante os tribunais e acabar com ela - lhe explicou Jennifer Coulter, vangloriando se ante sua vingança.

    Angelos Petronides ficou olhando à filha de sua falecida madrasta, dissimulando seu interesse atrás de uma máscara de amável indiferença. Ninguém poderia ter adivinhado que, sem

    que-rer, Jennifer lhe tinha proporcionado uma informação pela que tivesse estado disposto a

    pagar qualquer coisa. Maxie Kendall, a modelo conhecida como a Rainha de Gelo pelos jornalistas, e a única mulher que lhe tinha dado mais de uma dor de cabeça, estava metida num

    sério problema

     Leland esbanjou uma fortuna com ela - continuou Jennifer ressentida. - Terias que ter

    visto as faturas. É incrível o que gastou só em roupas de marca!

    - Maxie Kendall é uma mulher ambiciosa. Suponho que se propôs tirar de Leland o máximo

    possível - comentou Angelos tentando aplacá-la.

    Quase podia dizer-se que ele era o único dos conhecidos do casal Coulter que nunca tinha se deixado enganar a respeito das verdadeiras razões da ruptura do casal, três anos antes.

    Também não lhe tinham impressionado nunca as queixas de Jennifer. Aquela mulher tinha nascido

    na riqueza, e provavelmente morreria sendo ainda bem mais rica. Sua reconhecida avareza era

    motivo a mais de uma anedota entre os membros da alta sociedade londrina. - Todo esse dinheiro desperdiçado! - se lamentou Jennifer com os dentes apertados. - E agora me inteiro de que essa rameira conseguiu que Leland lhe fizesse semelhante empréstimo!

    Rameira? Definitivamente, pensou Angelos, sua irmã não tinha nenhuma pitada de classe,

    e muito menos de discernimento. Que um homem tivesse uma amante era algo perfeitamente

    normal, mas não uma rameira. No entanto, Leland tinha rompido as regras: nenhum homem

    em seu juízo abandonava a sua esposa para largar-se com sua amante. Nenhum grego, ao menos,

    teria sido tão inconsciente. Leland Coulter tinha se comportado como um estúpido, levando a

    vergonha a toda sua família.

    - Mas, ao final, conseguiste o que te propunhas - interveio - teu marido regressou para casa.

    - Sim, efetivamente - replicou secamente Jennifer, curvando os lábios numa cínica careta.

    - Mas só depois de que lhe desse um enfarte do que demorará meses em recuperar-se, e não

    antes que essa vadia o abandonasse no hospital. Limitou-se a dizer ao médico que me avisasse, e

    depois se largou tão fresca como uma alface. - Mas o que me importa agora é recuperar o

    dinheiro seja como for. Já dei ordem a meus advogados para que lhe enviem uma carta... - Jennifer, a mim me parece que, dadas as circunstâncias, estando Leland doente e tudo isso,

    tuas prioridades são outras. Não creio que a teu marido lhe ajude ver-te dar o espetáculo nos

    tribunais - Angelos viu que de imediato a mulher se punha rígida ao considerar a situação desse

    ponto de vista. - Permite-me que seja eu quem me encarregue deste assunto. Faço-me responsável de que recuperes o dinheiro do empréstimo.

    - O... que dizes é sério? - gaguejou Jennifer atônita.

    - Não somos parentes? - perguntou Angelos a sua vez docemente.

    Lenta, muito lentamente, Jennifer assentiu, como hipnotizada pela cálida mirada do homem

    que tinha diante de si.

    Sem dúvida,Angelos Petronides, o autêntico cabeça da família, contava com o respeito de

    todos os membros do clã. Era um homem frio, implacável e enormemente seguro de si mesmo.

    Ademais,era imensamente rico e poderoso. Conseguia atemo-rizar as pessoas só com sua

    presença. Quando Leland rompeu seu casamento, Angelos tinha cortado de raiz as queixas e

    prantos de Jennifer com uma simples mirada. De alguma forma, tinha-se inteirado de que ela

    lhe tinha sido infiel primeiro, e, impla-cável, assim se o comunicou. Desde então, Jennifer tinha evitado voltar a encontrar-se com ele. Só tinha conseguido superar o temor que lhe inspirava para pedir-lhe conselho a respeito da melhor forma de gerir

    a rentável cadeia de cassinos de propriedade de Leland.

    - Como o conseguirás? - perguntou com a boca seca, sem compreender muito bem ainda como tinha sido capaz de pôr-se em suas mãos.

    - Meus métodos são coisa minha - replicou Angelos cortante, dando por concluída aquela

    conversa.

    A impenetrável expressão de seu atraente rosto fez com que estremecer-se de pés a cabeça.

    No entanto, sentia-se triunfante: Angelos lhe tinha oferecido sua ajuda e aquela vadia muito cedo ia

    passá-lo muito mau. Só isso lhe importava.

    Quando ficou só, Angelos fez algo completamente infreqüente nele: ordenou a sua surpresa

    secretária que não lhe passasse nenhum telefonema e se ajeitou indolente no sua poltrona de

    couro, contemplando a magnífica vista da cidade londrina que se estendia frente a ele. Já não

    precisaria mais de chuveiros frios, pensou, ao mesmo tempo em que esboçava um sensual

    sorriso. Não teria mais noites solitárias. Seu sorriso se fez ainda mais amplo: a Rainha de Gelo ia

    ser sua. Depois de uma espera de mais de três anos, estava a ponto de consegui-la. Que fosse uma reconhecida aventureira, não diminuía um ápice sua extraordinária beleza.

    Inclusive mesmo Angelos, acostumado a tratar com as mulheres mais formosas, tinha ficado sem

    fala ao vê-la pela primeira vez. Tinha-lhe parecido a Bela Adormecida dos contos de fadas

    inacessível, intacta... Seu sorriso se trans-formou numa amarga careta. Tudo aquilo não eram mais

    do que tolices! Durante três anos, aquela mulher tinha sido a amante de um homem tão velho que

    podia ter sido seu avô. Não tinha mesmo nenhuma pitada de inocência nela. No entanto, decidiu que não a pressionaria com o empréstimo. Se portaria como um cavaleiro: lhe ajudaria a solucionar todos os seus problemas econômicos, desse modo, ganharia

    primeiro sua gratidão e depois então sua lealdade. Não voltaria a mostrar-se fria e, em agradecimento, ele estava disposto a rodeá-la de todos os luxos, a dar-lhe qualquer coisa que

    pudesse precisar ou desejar. Já não teria sequer que voltar a trabalhar. Por sorte para ela, Maxie não podia ser mais alheia aos planos que estavam forjando para

    seu futuro quando saiu do táxi. Cada um de seus movimentos estava dotado de uma elegância

    especial, inata. Ficou de pé um momento olhando a casa de sua falecida ma-drinha, uma mansão

    georgiana que se alçava no meio de um bem cuidado jardim.

    Enquanto se acercava à porta, teve que fazer um grande esforço para conter as lágrimas. Recordou que o mesmo dia em que fez sua primeira aparição pública com Leland, sua madrinha

    lhe tinha escrito que já não seria bem recebida naquela casa. No entanto mal quatro meses antes,

    a anciã tinha ido visitá-la em Londres para reconciliar-se com ela, ainda que não lhe tinha

    dito que estava mortalmente enferma. Maxie se inteirou de sua morte quando já a tinham

    enterrado.

    Tinha sido convocada à casa para a leitura do testamento de Nancy, o que dava a entender que, definitivamente, sua ma-drinha lhe tinha perdoado por seu escandaloso proceder.

    Para complicar as coisas, Maxie levava na bolsa uma carta que acabava de receber e comprometia qualquer possibilidade de felicidade e liberdade futuras. Na mesma lhe recordava a

    dívida contraída com Leland, e que ingenuamente ela tinha suposto que estava cancelada desde

    o momento em que decidiram romper sua relação. Afinal de contas, ele tinha levado três anos de

    sua vida, durante os quais Maxie tinha empregado cada centavo que ganhava para devolver-lhe o

    empréstimo.

    Talvez não lhe parecia suficiente? Naqueles momentos não só estava praticamente na bancarrota, se não que suas possibi-lidades de seguir trabalhando estavam seriamente comprometidas pela má publicidade. Leland era um fardo, mas ela nunca pensou que fora má

    pessoa, e muito menos do que precisasse do dinheiro. Por que não lhe dava um pouco mais de

    tempo para recuperar-se?

    A governanta lhe abriu a porta antes de que ela tocasse à campainha. - Senhorita Kendall lhe cumprimentou friamente. A se-nhorita Johnson e a senhorita Fielding a esperam na salinha de desenho. O senhor Hartley, o inventariante, virá em seguida.

    - Obrigada... não faz falta que me acompanhe. Recordo bem o caminho. Temerosa do recebimento que iam dispensar-lhe as outras duas jovens, especialmente uma

    delas, deteve-se diante um dos janelões que dava à roseira que tinha sido o orgulho e a alegria

    de Nancy Leeward. Recordou as deliciosas merendas infantis preparadas para as três meninas,

    Maxie, Darcy e Polly, quem se esforçavam por mostrar seus melhores modos diante Nancy,

    quem como nunca tinha tido filhos, ela mantinha umas idéias bastante antiquadas sobre a forma

em que estas deviam comportar-se.

    No entanto, Maxie nunca tinha se encaixado naquele ambi-ente. Tanto Darcy como Polly

    pertenciam à famílias acomodadas, e sempre que iam de visita a Gilbourne usavam preciosos

    ves-tidos, enquanto Maxie nunca tinha nada decente que se pôr. Assim que, ano após ano,

    Nancy a levava às compras; que surpresa se teria ficado sua boa madrinha se tivesse inteirado de

    que o pai de Maxie revendia aqueles custosos vestidos quanto sua filha regressava a sua casa!

    Sua falecida mãe, Gwen, tinha trabalhado como senhorita de companhia de Nancy, mas esta sempre a tinha considerado como uma amiga em vez de uma empregada. No entanto, nunca

    lhe tinha agradado o marido que tinha escolhido.

    Por desgraça, Russ Kendall tinha resultado ser um homem débil, egoísta e pouco digno de

    confiança, mas também era o único pai que Maxie tinha tido, e só por isso lhe professava uma

    lealdade sem fissuras. Seu pai se tinha esforçado por levá-la adiante, e, a seu modo, a amava muito.

    No entanto, a forma em que se compor-tava quando ia ver a Nancy era uma cruz que a Maxie

    se lhe fazia difícil suportar.

    Invariavelmente, e apesar do evidente desgosto da dama, Russ se empenhava em tirar-lhe

    um pouco de dinheiro.

    Maxie mal podia reprimir um suspiro de alívio quando por fim se marchava; só então era

    capaz de tranqüilizar-se e divertir-se.

    - Me tinha parecido ouvir um carro, mas devo ter-me equivo-cado - disse em voz alta e clara uma voz feminina. - Espero que Maxie venha cedo, estou desejando vê-la. Ao acercar-se um pouco mais à salinha de desenho, Maxie identificou a voz de Polly, tão amável e doce como a recordava.

    - Pois a mim me dá o mesmo - replicou secamente outra mulher. - Maxie, a bonequinha falante...!

    - Darcy, não é culpa dela ser tão bonita - lhe reprovou Polly.

    Maxie não pôde evitar um estremecimento. Pelo visto, Darcy não lhe tinha perdoado ainda

    o ocorrido três anos antes, apesar de que não tivesse sido em absoluto culpa sua: seu noivo a

    tinha dei-xado plantada no dia do casamento, depois de confessar-lhe que tinha se apaixonado por

    uma das damas de honra... precisamente de Maxie, quem não só não tinha flertado com o

    noivo em questão, senão que não tinha mostrado nunca o mínimo interesse por ele. - E talvez isso é uma desculpa para roubar o marido da outra? - perguntou azedamente sua

    amiga.

    - Não creio que se possa escolher por quem nos apaixo-namos - contestou Polly

    estranhamente emocionada. - Maxie deve sentir-se muito mau agora que ele voltou com sua

    esposa.

    - Apaixonada? - estourou Darcy. - Maxie não lhe teria olhado duas vezes se não fosse um

    homem tão rico. Já te esqueceste de como era seu pai? Essa garota leva a cobiça em seus genes.

    Não te lembras de como Russ lhe fazia a rosca a Nancy para tirar-lhe os quartos? - Recordas muito bem que ele molestava a Maxie para que o fizesse - repôs Polly. Maxie sentiu que se lhe fazia um nó estômago. Nada, absoluta-mente nada tinha mudado.

    Darcy era muito obstinada, e nada nem ninguém conseguiriam fazerlhe mudar de

    opinião.

    Inesperada-mente, foram se desvanecendo todas as esperanças de Maxie de que o tempo tivesse

    curado todas as feridas.

    - Não se pode negar que é toda uma beleza..., não é estranho que tente aproveitar-se disso -

    continuou Darcy implacável sobre-tudo tendo em conta de que isso é o único que tem. Nunca me

    pareceu muito inteligente na verdade...

    - Como podes dizer semelhante coisa? - lhe reprovou Polly. - Sabes muito bem que Maxie é

    disléxica.

    Maxie ficou lívida ao escutar aquela alusão a seu segredo melhor guardado. - Olha - continuou Polly, - apesar disso conseguiu ser muito famosa. - Se tua idéia da fama é sair nos anúncios de shampoo, suponho que tens razão - replicou

    Darcy cinicamente.

    Naquele momento Maxie decidiu que já tinha escutado sufi-ciente, e com um enérgico giro

    se dirigiu para a estadia, esfor-çando-se por esboçar um deslumbrante sorriso. - Maxie! - exclamou Polly embaraçada.

    Ela ficou sem fala ao ver que a doce e morena Polly estava inequivocamente gestante.

    - Quando te casaste? - perguntou surpresa.

    - Eu... - a jovem enrijeceu até a raiz do cabelo. - Não... não o fiz. Atônita, Maxie recordou que o pai de Polly era um homem muito restrito, e que tinha ensinado a sua filha um severo conceito da moral.

    - Bem, isso não importa - replicou, tentando tirar-lhe fer-ro ao assunto para que a amiga não se sentisse ainda mais envergonhada.

    - Temo que criar um filho sem pai não é tão fácil no mundo no que se criou Polly como no teu - interveio Darcy. A luz da tarde tirava reflexos avermelhados de sua curta cabeleira,

    enquanto seus olhos verdes chuviscavam de fúria.

    Maxie recordou que Darcy também era mãe solteira, mas decidiu não dizer nada. - Polly sabe ao que me refiro.

    - Para valer...? - começou a dizer Darcy.

    - Me estou enjoando - a interrompeu Polly abruptamente.

    Sem pensar, as duas jovens se dirigiram para ela. Maxie a obrigou a sentar-se no cadeirão

    mais próximo e lhe serviu uma xícara de chá, instando-a a que se comesse uma bolacha. - Você deveria ver-te um médico - comentou Darcy preocu-pada. - A verdade é que quando estava gestante de Zia, jamais estive enferma...

    - Estou bem... Fui ao médico sábado passado respondeu. - Estou um pouco cansada,

    nada

    mais.

    Justo naquele instante entrou Edward Hartley, o inventa-riante da madrinha, quem sem demasiada cerimônia se sentou e tirou um documento de sua valise.

    - Antes de começar a leitura do testamento anunciou, - creio que meu dever é advertir-

    lhes

    que só poderão entrar em posse de seus respectivos legados se cumprirem escrupulosa-mente as

    condições estabelecidas por minha cliente...

    - Que quer dizer com isso? - lhe interrompeu Darcy impa-ciente.

    O senhor Hartley tirou os óculos com gesto de cansaço.

    - Suponho que todas vocês sabem que a senhora Leeward teve um feliz, ainda que desgraçadamente curto, casamento, e que a morte prematura e trágica de seu esposo, foi uma fonte

    de contínuo pesar para ela.

    - Sim, sabemos - assentiu Polly. . . A madrinha nos contou muitas coisas de Robbie. - Morreu num acidente de carro, seis meses depois do casa-mento - adicionou Maxie. - À

    medida que passava o tempo, fala-va dele como se fosse um santo. Parecia pensar que o casamento era uma espécie de Santo Grial, a única esperança de felicidade para uma mulher.

    - Antes de morrer, a senhora Leeward se propôs visitar a cada uma de vocês e, depois de fazê-lo, decidiu então modifi-car seu testamento lhes informou o senhor Hartley. - Advertilhe

    que as condições que pensava impor-lhes seriam muito difíceis de cumprir, se não impossíveis.

    No entanto, a senhora Leeward era uma mulher muito obstinada.

    Produziu-se um tenso silêncio. Maxie se deu conta de que Polly não parecia entender muito

    bem o que ocorria, enquanto Darcy, incapaz de dissimular seus sentimentos, estava mortalmente

    preo-cupada.

    O inventariante procedeu à leitura do testamento, segundo o qual Nancy Leeward tinha dividido sua considerável fortuna em três partes exatamente iguais, que a cada uma delas

    receberia com a condição de que se tivessem casado no prazo de um ano, e de que tivessem

    permanecido assim ao menos durante outros seis meses. Só então entrariam em posse de sua

    parte. Se alguma delas não o conseguia, esta herança passaria ao estado. Quando Edward Hartley terminou a leitura, Maxie estava pálida como uma difunta. Tinha

    rogado com toda sua alma para que aquele testamento a livrasse da dívida que quase tinha

    destruído sua vida, e em mudança se encontrava com que, de novo, a sorte lhe dava as costas.

    Desde que sua mãe morreu quando ela era mal um bebê, fazia quase vinte e dois anos, e devido

    ao vício ao jogo de seu pai, nada lhe tinha resultado fácil na vida. - Deve estar caçoando! - estourou Darcy incrédula.

    - Nunca poderei consegui-lo murmurou Polly assinalando sua barriga.

    Maxie a olhou com simpatia. Evidentemente, a pobre garota tinha sido seduzida e abandonada.

    - Eu também não... - começou.

    - Por favor Maxie! Acredito que até farão fila para casar-se contigo! - exclamou Darcy exasperada.

    - Com minha estupenda reputação?

    - Bem - continuou Darcy, - tudo o que nos pede é um homem e um anel de casamento. Creio que poderei consegui-lo se ponho um anúncio no jornal oferecendo parte da herança a

    mudança.

    - Ainda que estou seguro de que o diz em brincadeira ... interveio Hartley com severidade, - então devo advertir-lhe que se utilizasse uma artimanha semelhante, imediatamente

    se veria eliminada do testamento.

    Maxie podia entender muito bem as razões de sua madrinha para adotar semelhante postura: nos últimos meses tinha visitado ela cada uma das jovens, e o que tinha visto não

    tinha podido por menos que a decepcionar.

    Para começar, aparentemente Maxie estava vivendo em pecado com um homem casado, enquanto Polly ia a caminho de converter-se numa mãe solteira. Quanto a Darcy, pensou cheia

    de arrependimentos, uns meses depois de sua cruel humilhação na igreja tinha dado a luz uma

    menina. Não era de estranhar que a impetuosa ruiva odiasse aos homens desde então. - É uma vergonha que tua madrinha vos tenha posto seme-lhantes condições para receber o

    testamento - se lamentou Liz, a amiga de Maxie, enquanto as duas mulheres examinavam a carta

    enviada pelos advogados de Leland. - Se não o tivesse feito, todos teus problemas estariam

    resolvidos.

    - Talvez deveria ter-lhe contado a Nancy a verdadeira razão pela que estava vivendo em casa de Leland... mas não queria dar-lhe a entender que precisava de ajuda. Não teria sido justo:

    detestava a meu pai, sabes? - replicou Maxie reflexivamente, mas sem pitada de autocompaixão.

    Tinha sofrido tantas e tão amargas decepções em sua vida que já nem pensava nelas. - Creio que o que precisas é de um bom assessor legal. Afinal de contas, só tinhas dezenove

    anos quando assinaste o empréstimo, e o fizeste sob uma pressão tremenda. Realmente, temias

    pela vida de teu pai - comentou Liz esperançosa.

    Do outro extremo da mesa da cozinha, Maxie ficou olhando a sardenta cara de sua amiga

    que, literalmente, a tinha resgatado oferecendo-lhe um teto onde morar se pelo tempo que lhe

    fizesse falta. Liz Blake era a única pessoa na que confiava; nunca se tinha deixado enganar pela

    brilhante aparência a que fazia que tantas mulheres se mostrassem invejosas quando não abertamente hostis para ela. A mulher era cega de nascimento e muito independente; ganhava-se

    a vida trabalhando como ceramista, e tinha muitos e bons amigos.

    - Assinei aquele papel com todas as conseqüências para salvar a meu pai - lhe recordou Maxie. - Desde então, não me voltou a pedir dinheiro.

    - Maxie..., não lhe vê a três anos - pontualizou sua amiga.

    - Está realmente envergonhado, Liz, sente-se muito culpado.

    Liz levantou a cabeça e acariciou o lombo de Bounce, seu cachorro lavrador, tombado a seu lado.

    - Me pergunto quem vem ver-nos. Não espero a ninguém... e ninguém exceto as pessoas de tua agência sabem que vives aqui - Liz se levantou um instante antes de que soasse o

    timbre da porta, e reapareceu ao cabo de dois minutos. - Tens uma visita: é um homem alto,

    moreno, com uma voz muito atraente. Diz que é amigo teu.

    - Amigo meu? - repetiu Maxie perplexa.

    Liz assentiu.

    - Deve ser sério para ter te encontrado aqui. Bounce lhe fez o reconhecimento habitual, e

    parece que lhe deu o visto bom, assim que lhe fiz passar ao salão. Escuta, atende-lhe enquanto eu

    vou ao estudo para terminar o pedido que tenho pendente.

    Maxie se perguntou a quem teria deixado passar Liz. Espe-rava que não fosse algum horrível jornalista.

    Quanto entrou na pequena sala, então ficou como pregada no solo, incapaz de enfrentar a

    situação que se lhe vinha em cima.

    - Maxie... como estás? - a saudou Angelos Petronides, estendendo uma mão para ela. Ela deu um passo atrás, como se defronte dela tivesse uma serpente; o coração lhe batia a

    toda velocidade. Como era pos-sível que Liz tivesse acreditado que se tratava de um amigo?

    - Senhor Petronides...

    - Chama-me Angelos - lhe pediu sorridente.

    Maxie piscou atônita. Nunca o tinha visto sorrir antes. Nos últimos três anos tinham coincidido mal meia dúzia de vezes, e aquela era a primeira vez que ele parecia perceber a sua

    exis-tência... Nas demais ocasiões, não só não lhe tinha dirigido a pala-vra, senão que se tinha

    posto a falar em grego quando ela tinha feito alguma tentativa para entrar na conversa. No entanto, plantado adiante dela, parecia inclusive divertido ante sua evidente confusão.

    - Não entendo por que veio até aqui... ou ainda como conseguiu encontrar-me - disse Maxie

    ao fim.

    - É que talvez te tenhas perdido? - repôs Angelos com voz rouca, percorrendo seu corpo com a mirada de uma forma que a ela lhe pareceu insultante. - A mim me parece que sabes

    muito bem para que vim.

    - Não... não tenho a menor idéia - replicou Maxie com os olhos reluzentes de ira como duas

    safiras.

    - Agora és uma mulher livre...

    ?Isto não pode estar acontecendo a mim? pensou Maxie incrédula. Tentou mostrar-se firme,

    não dar a menor mostra de debilidade ante aquela mirada implacável. Recordou um instante,

    fazia uns seis meses: ele a tinha surpreendido olhando-o, e toman-do-se como um convite,

    devolveu-lhe uma mirada carregada de charme e simples apetite sexual. Não tinha sido mas que

    um segundo, mas isso tinha bastado para que a Maxie lhe revolvessem as entranhas. Mil e uma vezes se tinha dito que não tinham sido mais do que imaginação sua. Que tudo

    o que aquele arrogante grego sentia por ela não era mais do que a pura indiferença. As vezes

    conseguia enfadá-la por sua descortesia, mas chegava a entender semelhante comportamento, pois,

    diferente de Leland, Petronides nunca tivesse exibido a uma mulher, por mais bonita que esta fosse,

    numa reunião de negócios.

    - E por isso - continuou Angelos com a segurança de um homem que estava acostumado a

    conseguir o que desejava, agora te quero em minha vida.

    Era evidente que nem se propunha que ela fosse a recusá-lo. Estava lhe demonstrando bem às claras a consideração na que a tinha. Ao dar-se conta de seu infinito desprezo, Maxie

    esteve a ponto de perder o autocontrole.

    - Para valer crê que pode apresentar-se aqui e dizer-me...?

    - Sim - a cortou Angelos impaciente. - Deixa-te de joguinhos, já me dei conta de que não te

    sou indiferente.

    Maxie sentiu que a percorria uma fúria surda da cabeça aos pés. Aquele tipo devia crer-se

    um deus. E no entanto, reconheceu que a primeira vez que o viu, tinha ficado fascinada por ele.

    Poucas vezes tinha visto a um homem tão atraente, e nunca a nenhum que ao mesmo tempo

    fosse tão inteligente, que emanasse seme-lhante aura de poder.

    No entanto, nunca tinha se sentido atraída por ele. De fato, a maioria dos homens não lhe agradavam, pois era incapaz de confiar neles. Nunca nenhum homem a tinha visto como um ser

Report this document

For any questions or suggestions please email
cust-service@docsford.com