DOC

MM - O Viking

By Ralph Ferguson,2014-08-15 23:52
10 views 0
MM - O Viking

    .

    O VIKING

    Margareth Moore

    Título original: The Color Purple

    Tradução: Vera M.D.A. Renoldi

    Revisado por: Rafayelows

www.portaldetonando.com.br/forumnovo/

     1

2

    CAPÍTULO I

    O navio deslizava quase sem ruído e a serpente esculpida na proa erguia a cabeça ameaçadora acima da neblina. Os remos cortavam as águas pouco profundas do rio, aproximando-se da margem. Os homens, ofegantes, mantinham-se curvados e em absoluto silêncio.

     Eu não gosto disso protestou um dos remadores, sem disfarçar a tensão.

    Não gosto nem um pouco...

    Siurt concordou com um gesto de cabeça. O comandante do ataque sempre permanecia imóvel como uma estátua na proa do navio, mas, desta vez, era Einar quem os liderava e ele não aparentava a costumeira tranqüilidade.

    Ull abaixou a cabeça quando Einar olhou para os remadores, procurando por quem ousara romper o silêncio, para depois voltar os olhos de novo para as margens do rio.

     O que ele espera ver em plena escuridão insistiu Ull.

     Nós nunca navegamos tão para o interior resmungou Siurt, remando com

    mais força. Entretanto, Einar não é do tipo que se arrisca a toa.

     Então, por que Svend não nos acompanhou?

     Você sabe muito bem que nosso líder não poderia enfrentar essa viagem depois do tombo que levou de seu cavalo sussurrou Siurt, com uma expressão preocupada. A

    queda foi um mau presságio, um aviso.

    Einar veio da proa até o meio do longo e esguio navio, a fim de dar ordens para que os homens guardassem os remos.

     Lembrem-se que a mulher usando uma cruz de ouro com três pedras preciosas não deve ser molestada disse ele, em voz firme e baixa e sim trazida até mim.

     E por quê? reclamou Ull, cofiando a barba de um vermelho vivo Nós nunca

    molestamos mulheres. Como você ficou sabendo sobre essa em especial?

    Os lábios de Einar se curvaram num sorriso, mas os olhos permaneciam frios como o aço de sua espada.

     Não desperdice seu tempo pensando nessa mulher, Ull. Há muito ouro na aldeia e todos nós sabemos que escravas dão muito trabalho.

     Realmente... , por que perder tempo com mais uma mulher? Zombou Ull,

    examinando o colar de placas de ouro em tomo do pescoço de seu comandante. Existem

    tantas se batendo para conseguir um lugar na cama do poderoso Einar, certo?

    A mão de Einar tocou a empunhadura da espada.

     No momento, Ingemar me satisfaz plenamente.

     3

     Então por que quer essa mulher com a cruz de ouro?

    Mesmo sabendo que estava se arriscando a enfrentar a terrível cólera de Einar com suas perguntas, Ull insistia em compreender por que haviam se aventurado tão para o interior do território saxônio. Os ataques dos vikings sempre se limitavam às aldeias costeiras e eles estavam subindo o rio por mais de suas horas.

     Porque quero e isso é tudo que você precisa saber.

    Lutando para controlar a raiva e pensar na batalha a sua espera, Einar retornou para seu lugar na proa do navio. Não lhe agradava arriscar a vida de seus guerreiros se adentrando na terra dos saxões. Era extremamente perigoso, mas o chefe de seu povo o encarregara dessa missão.

    Desobedecer a uma ordem expressa de Svend seria visto por todos como um sinal de que ele estava desafiando sua autoridade a fim de assumir a liderança da aldeia e Einar não tinha a menor intenção de se apoderar do controle de seu povo.

    Por outro lado, lhe desagradava ter de confiar em um traidor saxão para ensinar-lhes o caminho. O homem prometera uma fogueira, que seria visível do rio, para conduzi-los ao seu destino e afirmara que a aldeia estaria indefesa com todos os guerreiros ausentes.

    Segundo o traidor, eles poderiam saquear e pilhar à vontade, desde que cumprissem o combinado. Era justamente essa tarefa que desagradava Einar, pois não havia glória em matar uma mulher.

    Svend também hesitara ao ser informado sobre o que os vikings deveriam fazer a fim de se apoderar de todos os tesouros da aldeia. Finalmente concordara, decidindo levar essa missão a cabo por conta própria. Então, ele caíra do cavalo e, como só um tolo ignoraria um aviso tão claro dos deuses, a responsabilidade passara para as mãos de Einar.

    Ele franziu a testa, prevendo problemas sérios. Svend só pensara que havia uma fortuna em ouro e gado, além de escravos, à espera de seus homens, mas Einar suspeitava de uma armadilha. Quem poderia confiar em um homem que trai seu próprio povo?

    O chefe dos vikings sempre fora sábio e de inteligência incomum, mas, talvez pela primeira vez, tivesse permitido que a ganância toldasse seu julgamento e bom senso.

    Einar examinou o céu noturno, claro e sem nuvens, aliviado por terem escapado das tempestades que caem no mar do norte com a aproximação do inverno. Ele murmurou uma prece de agradecimento dirigida a Aegir, o deus do mar.

    Logo as tormentas chegariam, vindas do gélido norte. O traidor saxão determinara três dias para a realização dessa missão e eles a estavam realizando no tempo certo. Em menos de uma semana, uma viagem em mar aberto se tornaria perigosa demais. Apesar de tudo correr dentro do previsto, Einar desejava ardentemente já ter terminado aquele ataque e estar de volta à sua aldeia.

    Ele ouviu vozes baixas às suas costas e sentiu a excitação dos homens. Para aqueles guerreiros vikings, a tomada e o saque de urna aldeia saxônia seria tão fácil quanto depenar uma galinha... se a missão não fosse urna armadilha!

     4

    da colina Então. Einar avistou o brilho pálido de uma fogueira entre as árvores junto à margem do rio. Com um gesto de cabeça ele indicou o sinal a Lars que dirigiu o navio na direção da praia.

    Atendendo a um outro sinal de Einar, os homens começaram a saltar do navio para as águas rasas do rio e a subir a encosta da margem, sem qualquer ruído.

    Subitamente, um grito de alarme rompeu o silencio da noite. Einar avistou uma sombra correndo a distancia e, com um gesto rápido, deu ordens para que seus homens apressassem o ataque.

    A aldeia do povo saxão ficava no alto da colina onde se avistava a fogueira e era uma das maiores que Einar já vira. As casas, bem construídas, ficavam atrás de uma paliçada de madeira bastante sólida, além da qual se avistava um bosque.

    Ao se aproximar, Einar percebeu que o alarme dera tempo aos moradores para fecharem o pesado portão de madeira. Entretanto, não havia homens sobre a muralha, esperando-os com arcos preparados para atirar e repelir o ataque. Seria mesmo uma armadilha preparada por um falso traidor ou aquele grito de alerta não fora previsto?

    Não havia tempo a perder em considerações abstratas pois era preciso deitar abaixo o pesado portão, Seus homens tinham atacado dezenas de aldeias saxônias e, em questão de minutos, derrubaram uma árvore que foi usada como um aríete.

    A aldeia parecia deserta. Enquanto os guerreiros abriam as casas em busca de saque, Einar fez um sinal para Hamar, seu meio irmão, e para Lars, conduzindo-os para a maior construção do vilarejo.

    Apenas o fogo mortiço da lareira iluminava a sala e, enquanto Hamar e Lars abriam um barril de vinho com seus machados, Einar procurava pela mulher que era a causa daquela missão.

    O traidor afirmara que ela estaria na maior casa da aldeia, talvez na dispensa onde havia uma porta falsa, levando a um esconderijo cavado no chão de terra. Einar não precisou procurar pelo local secreto pois logo avistou um par de pés descalços atrás de uma cômoda.

    Sem perda de tempo, Einar puxou um garoto pela túnica e o trouxe até o centro da despensa .

     Largue-me! berrava o adolescente, tentando atingir Einar com os punhos cerrados. Meu pai é um lorde, o chefe desta aldeia!

    O garoto tinha aproximadamente treze anos mas, embora já fosse muito alto, ainda era mais um menino do que um homem. Einar viu o desespero nos olhos do cativo e reconheceu a angustia do guerreiro sem armas que anseia por lutar.

    Sorrindo, ele preparou-se para questionar o garoto quando percebeu um vulto se movendo nas sombras do aposento e ouviu uma voz feminina às suas costas.

     Solte-o!

    Einar virou-se em tempo de ver uma mulher saindo das sombras e a luz que vinha da sala principal iluminou a cruz de ouro com três faiscantes pedras preciosas. Ela avançava em

     5

    sua direção, com uma garotinha agarrada às saias e carregando uma espada pesada demais para mãos femininas.

    Encontrara a mulher que devia matar. A esposa do traidor.

    Ele deu um passo à frente e, para sua surpresa, viu a mulher erguer a espada. Ela não escondia sua intenção de matá-lo, mas Einar apenas sorriu e avançou mais. Agora sabia de quem o garoto herdara a valentia.

    A mulher empurrou a garotinha para trás e, encarando Einar, preparou-se para o ataque.

    Realmente, ele nunca encontrara uma mulher tão corajosa. Não havia a menor dúvida que seria atacado sem piedade.

    Os cabelos negros, muito longos, escondiam o rosto da mulher que avançou na direção de Einar, tentando atingi-lo com a pesada espada.

    Ele desviou-se facilmente do golpe. A mulher quase perdeu o equilíbrio, mas logo se recuperou, preparando-se para desferir uma nova investida. Hamar e Lars permaneciam parados à porta da despensa, observando a cena com um sorriso divertido.

     Acho que ela não simpatizou com você, Einar brincou Lars.

     Tem toda a razão replicou Einar, indiferente à fúria da mulher.

     Ainda bem! Ingemar ficaria furiosa se você arrumasse uma outra mulher para ocupar o lugar dela.

    A mulher avançou novamente e, desta vez, o golpe passou muito perto de mão de Einar.

     Fujam! gritou ela para as crianças.

    O garoto hesitou por uma fração de segundo até tomar uma atitude e, agarrando a mão da menina, correu para a porta. A tentativa de fuga foi frustrada por Hamar e Lars que os agarraram.

    Agora a mulher já não controlava o pânico, mas, num último e desesperado esforço, ergueu a espada ainda uma vez,

     Solte as crianças ou eu o matarei!

    Subitamente, Einar decidiu que já perdera tempo demais com aquela brincadeira idiota. Saltando sobre a mulher, ele arrancou-lhe a espada das mãos enquanto ambos caíam ao chão.

    Com os rostos muito próximos, Einar pôde examinar os traços da mulher mais bela que ele já vira. Os olhos eram azuis como o céu na primavera, os cabelos negros como o ônix e os lábios ... os lábios cheios pareciam pedir beijos.

     Por favor, não faça nada de mal às crianças -implorou ela.

     6

     Elas não serão maltratadas. Einar notou a surpresa da mulher ao ouvi-lo falar

    em inglês. Nada lhes acontecerá.

    Ela acreditou nas palavras do guerreiro, mas logo ficou tensa ao sentir que as mãos másculas percorriam seu corpo, investigando suas curvas perfeitas.

     Por favor ela entreabriu os olhos, brilhantes de lágrimas não permita que

    as crianças sejam testemunhas de minha degradação

    ;

    Einar a encarou, sem disfarçar a surpresa. Aquela mulher lutava como uma das companheiras de Odin para proteger suas crianças e após perder a batalha desigual, pedia apenas que elas não testemunhasses sua humilhação.

    Inexplicavelmente, sentiu-se arrependido por tê-la colocado em uma posição em que fosse necessário implorar. Ele ergueu-se do chão, forçando-a a ficar também de pé.

    A mulher já não tentava lutar, mantendo seu olhar fixo nas crianças. Subitamente Einar convenceu-se de que seria um verdadeiro desperdício matar uma criatura tão

    corajosa. Com toda a certeza Svend concordaria com ele.

     Tragam as crianças ordenou ele, arrastando a mulher em direção à porta

    de saída da casa.

    O traidor se preocupara demais com os filhos, exigindo que não fossem tocados e, sem dúvida, pagaria um bom resgate por eles. Quanto à esposa, bastaria saber que não seria mais sua responsabilidade.

    Do lado de fora da casa reinava o silencio. Era evidente que todos os moradores da aldeia haviam fugido para algum lugar seguro. Os vikings já tinham saqueado tudo e se afastaram após atear fogo nos montes de feno.

    O guerreiro de cabelos prateados arrastou Meradyce para o navio. Aterrorizada e sem forças depois do fútil combate contra aquele gigante loiro, ela mal conseguia mover as pernas. Na verdade teria se largado no chão, sem se importar com mais nada se não fosse pelas crianças.

    O mais jovem dos outros dois guerreiros carregava Betha que estava

    captor. O outro guerreiro, de cabelos escuros e assustada demais até para chorar. A garotinha olhava, apavorada, a lamina curva do barba espessa, segurava Adelar firmemente pelo braço, machado viking, presa ao peito de seu

    Se ao menos Adelar não tentasse escapar, com intenções de lutar contra os homens que tinham ousado atacar sua aldeia, talvez os três sobrevivessem. Entretanto, Meradyce percebera que o garoto não tirava os olhos da espada de seu captor, nitidamente à espera de uma oportunidade de se apoderar da arma.

    Ela rezava para que Adelar se desse conta da insensatez dessa ação. Não tinha a menor dúvida de que um selvagem viking mataria quem tocasse sua arma!

    O guerreiro de cabelos prateados segurou o pulso de Meradyce com mais força e ela mordeu os lábios para conter o grito de dor.

     7

    Iluminado pela luz avermelhada das casas que ardiam, o guerreiro viking mais parecia um demônio vindo dos infernos. O capacete de metal que protegia o nariz, criava sombras escuras em redor dos olhos, deixando à mostra o queixo agressivo e a boca de contornos duros. Os cabelos longos, quase na altura dos ombros, se moviam como fios de prata enquanto ele caminhava com passadas longas.

    Embora com dificuldade de acompanhar a marcha de seu captor, Meradyce ainda lançou um último olhar para a aldeia. Felizmente, não havia nenhum corpo entre as casas que ardiam como piras. O grito de alerta dera tempo a todos de se refugiarem nas cavernas.

    Como os vikings tinham sabido que não havia nenhum guerreiro na aldeia? Fora apenas um acaso? E por que aquele gigante loiro, que a arrastava sem qualquer esforço, sabia falar o seu idioma?

    O grupo estava a poucos passos do navio viking quando Adelar conseguiu escapar.

     Corra, Adelar! gritou ela, também se soltando de uma das mãos do gigantesco guerreiro.

    Enquanto ela continuava a se debater, distraindo a atenção dos homens, Adelar desapareceu entre as árvores.

     Graças a Deus murmurou Meradyce, sentindo as esperanças renascerem.

    Surpresa, ela percebeu que o gigante loiro soltava seu outro braço.

    Estava livre para correr...

     Adelar! gemeu Betha, desesperada.

    Meradyce se imobilizou. Não poderia fugir, deixando a frágil e pequenina Betha à mercê daqueles selvagens.

    Naquele instante, gritando de ódio, Adelar reapareceu entre as arvores, atendendo ao apelo da irmã. Antes que Meradyce pudesse aconselhá-lo, o garoto jogou-se contra o guerreiro de cabelos prateados.

     Solte-as! Covarde! Selvagem!

    O viking o segurou pelos braços, mantendo-o no ar.

     Por favor! Meradyce aproximou-se e colocou a mão no braço musculoso do guerreiro. Não o mate!

    Os olhos do viking refletiam um brilho feroz, visível apesar da sombra formada pelo capacete de metal.

    soltou Adelar O chefe dos saxões Agora, entrem todos no navio. deve se orgulhar de você e de suas duas crianças. Ele

    Antes que o guerreiro a tocasse novamente, Meradyce tomou a mão de Adelar e, caminhando junto do outro viking, tirou-lhe Betha dos braços a fim de carregar pessoalmente a garotinha apavorada.

     8

     Temos que obedecer insistiu ela, subindo a prancha que dava acesso ao navio.

    Prudente ela se refugiou com as crianças em um recanto do navio com o saque. O guerreiro loiro lhe dissera que não seriam maltratados, mas Meradyce não ignorava que a sina dos prisioneiros era ser vendido como escravo.

    Um soluço de desespero escapou de seus lábios e Betha a fitou com olhos aterrorizados.

     Está tudo bem, querida murmurou ela, abraçando carinhosamente a garotinha.

     Seu pai é um grande chefe dos saxões e você será bem tratada.

    Acho melhor que eles a tratem muito bem declarou Adelar com as feições

    distorcidas pela raiva. Se eu puser as mãos numa espada ...

     Não! Betha recomeçou a chorar. Não faça nada ou eles o matarão!

     Betha tem razão, Adelar. Meradyce puxou o garoto para junto dela. Não

    há nada a ser feito contra tantos guerreiros.

     Mas ...

     Nada mesmo, Adelar.

    Betha soluçava baixinho nos braços de Meradyce que perdia suas últimas esperanças. Todos os vikings já estavam a bordo, aguardando as ordens de seu líder, o guerreiro de cabelos prateados.

    Ele foi o último a entrar no navio e, tomando o lugar na proa, deu ordens para que todos começassem a remar.

    Abraçando as crianças, Meradyce desviou os olhos do guerreiro que parecia fazer parte do navio e fitou a colina onde ficava sua aldeia. Logo, o clarão das chamas se tomou apenas um borrão indistinto na linha do horizonte.

     Por Deus! Olhem!

    Kendric voltou os olhos para a direção apontada pelo homem.

    Na linha do horizonte, onde deveria estar sua aldeia, uma coluna de fumaça se erguia no céu rosado da madrugada .

    Com um brado de guerra, o chefe dos saxônios fez um sinal para que seus homens o seguissem e galopou em direção à aldeia, escondendo .um sorriso de satisfação .

    Quando ele propusera uma expedição para roubar gado das aldeias vizinhas, seus homens não tinham recusado, porque acreditavam que os vikings jamais se arriscariam a atacar tão perto do inverno.

    E era verdade. Ele precisara oferecer muito mais ouro do que previra, mas pagaria ainda mais para se livrar de Ludella.

     9

    Ninguém suspeitaria que ele estivesse envolvido na destruição da aldeia nem que houvesse planejado esse ataque durante meses... desde saber, com certeza absoluta, que sua esposa tinha um amante.

    Sua primeira reação ao descobrir que Ludella o traíra com Orwin, um de seus soldados, fora mandá-la de volta para a casa dos pais. Entretanto, o pai dela era um senhor poderoso, um lorde membro do conselho que ajudava o rei a tomar decisões e talvez a situação não se resolvesse a seu favor.

    Ludella fora muito cuidadosa em sua traição e, além disso, não era segredo na aldeia que ele não tirava os olhos de uma mulher bonita... nem conseguia manter as mãos longe de um corpo sensual.

    Sua esposa acabaria convencendo o pai de que era inocente e talvez o acusasse de ter rompido os votos de lealdade do casamento ao tentar seduzir todas as mulheres atraentes que surgiam na aldeia.

    Mais uma vez, Kendric se perguntou se Ludella o vira abraçando a bela Meradyce logo após o nascimento de Betha. Sua esposa teria notado o desejo e não a gratidão em seus olhos quando agarrara a fascinante parteira?

    Sem dúvida Ludella não procurara um amante apenas para se vingar pois nem mesmo Meradyce percebera suas intenções ... ainda.

    Além disso, todos sabiam que a bela parteira defendia sua castidade com unhas e dentes! Não seria fácil levá-la para a cama sem prometer casamento!

    Kendric já não se preocupava mais com esse obstáculo. Logo poderia conquistar aquela beldade de pele alva como o leite. Transporia as barreiras que ela erguera para se defender dos homens ao lhe oferecer respeito e... casamento!

    Na verdade, ele pretendia apenas oferecer! Embora seu desejo pela inocência virginal de Meradyce estivesse se tornando uma obsessão incontrolável, Kendric queria apenas uma amante. A bela jovem não passava de uma parteira sem dote ou fortuna.

    Quando voltasse a se casar, escolheria uma rica herdeira de família poderosa. Afinal ele era jovem e atraente, rico e chefe de seu povo. Algum dia, muito em breve, seria convidado a participar do conselho real.

    Agora, só restava descobrir um pretexto para matar Orwin. Por sorte, Ludella escolhera um amante de classe inferior e seria bem fácil livrar-se dele.

    O grupo de guerreiros alcançou o topo da colina onde podia se avistar a aldeia destruída pelo fogo. Embora à distância, viam-se vultos se movendo entre as casas calcinadas.

    Kendric não pagara para que os vikings queimassem todas as casas, mas sentia-se profundamente satisfeito com esse desastre. Já há muito tempo queria refazer as construções da aldeia, erguendo para si mesmo um edifício condizente com sua importância. Os mercadores, sempre avarentos, protestavam contra esse desperdício de dinheiro. Agora, não lhes restava outra escolha.

     10

Report this document

For any questions or suggestions please email
cust-service@docsford.com